Socorro, privatizaram a política!
Não existe nada mais incompatível com o mundo privado do que a política. Ela é essencialmente pública, resultado da convivência em sociedade, fundamental para o equilíbrio das relações, decisiva para a sobrevivência harmônica das pessoas.
A política é a disputa de idéias que existe em cada pronunciamento humano. É o instrumento da manutenção ou transformação das coisas. É absolutamente tudo que dizemos, fazemos, organizamos. Mas não é possível fazê-la individualmente. A política é a arte da vida coletiva.
Acontece que nesse mundo globalizado, capitalista, neoliberal, tudo virou objeto, mercadoria. O mundo do trabalho é mercado. A beleza das pessoas é comprada em frascos e cirurgias. O padrão de vida ideal é caro, muito caro.
Desde crianças somos convencidos de que a felicidade é ganhar dinheiro e ganhar mais dinheiro para gastar o dinheiro. Assim, uma parcela ínfima da sociedade vive escrava do consumo. E a outra parcela gigantesca vive frustrada porque não tem o direito de consumir.
Mas vejam que contradição: se a democracia é o poder que emana do povo, como pode a minoria se manter no domínio do poder, das riquezas e das idéias? Se quem dirige nosso Estado Democrático de Direito é o povo, se são todos que escolhem seus representantes, seu programa e suas ações, como a maioria pode permanecer insatisfeita ano após ano, eleição após eleição?
É que este mundo, que privatiza até o amor, também privatizou a política. Apesar de todos terem direito ao voto, poucos têm condições de decidir os rumos da vida em sociedade (a política) de forma autônoma e consciente.
Porque a miséria e a falta de educação aprisionam a maioria dos brasileiros à ignorância política. Vota-se em troca de qualquer favor, de qualquer esmola, de qualquer amizade longínqua. Não se compreende que ali está por decidir se a cidade continuará estagnada, patrimônio de poucas famílias, ou se será um espaço público, de todas as cores, ritmos, bairros e diferenças. Não se percebe que a política é o único instrumento capaz de erguer uma nova consciência, de garantir direitos, espaço, voz.
Privatizaram a política na cabeça das pessoas, como se ela fosse um negócio de interesses individuais. Mas também privatizaram os políticos que usam seu poder para beneficiar os amigos e que devem fidelidade aos financiadores de suas campanhas milionárias. De onde vem tanto dinheiro? Não se assuste ao descobrir que vem de você mesmo. Já é sistêmico no Brasil que as campanhas eleitorais sejam financiadas por empresas beneficiadas ou interessadas em se beneficiar dos vultosos e superfaturados contratos públicos.
Assim, financiando as campanhas, (paradoxalmente com o dinheiro público), o mundo privado compra parlamentares e mandatários para que representem seus próprios interesses comerciais e não as causas coletivas do povo eleitor.
Privatizaram os políticos, a política, privatizaram até a democracia. Você não vai fazer nada?
Louise Caroline
Ex-Vice-Presidente da União Nacional dos Estudantes
Direção Nacional da Juventude do PT
enviada por Gustavo Petta
19/12/2007 17:41
Quem tem medo da TV Brasil?
A jovem Deputada Federal pelo Rio Grande do Sul, Manuela d'Ávila*, realizou um discurso na Câmara dos Deputados saudando o início das operações da TV Brasil. Na sua fala, criticou as posíções contrárias a sua criação. Segundo ela, setores que tem medo do nosso povo e da nossa cultura e se sentem mais à vontade em Nova York do que no Rio de Janeiro.
Veja o discurso na íntegra:
Nosso país viveu um ano de profundas transformações, este fato é reconhecido por todas as forças políticas desta Casa. Uma destas grandes transformações foi o início das operações da TV Brasil. Início este ofuscado pela estréia das transmissões da TV digital brasileira. Apesar da estréia tímida, resumida à cidade de São Paulo, a tv digital concentrou todas as atenções, enquanto o verdadeiro salto está sendo dado com o lançamento de um novo veículo de comunicação, que pode vir a cumprir um papel previsto pelos constituintes de 1988 mas nunca concretizado, o de democratizar o acesso ás informações.
Ouvi aqui, diversos discursos acusando a iniciativa do governo Lula de se criar uma Tv chapa-branca. Mas todos estes ataques caem por terra quando conversamos com a nova presidente da TV, jornalista Tereza Cruvinel.
Um profissional respeitada, tratada com muita deferência por todos os partidos, certamente empresta além de sua competência sua seriedade e sua credibilidade a este novo veículo.
Em entrevista publicada na semana passada, a jornalista afirmava que ''a TV Brasil fará um jornalismo sem adjetivos cromáticos, guiado pelos fatos, pelo equilíbrio e isenção. E independente da boa intenção ou das virtudes de seus dirigentes, a vigilância da sociedade deve prevalecer''
Não há dúvida, de que a TV Brasil será fiscalizada diuturnamente pelos mais diversos segmentos da sociedade. Então qual a razão para tanto temor, o que justifica que um partido entre com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória que criou a TV Brasil?
O que teme este partido e os ácidos críticos à nova TV é que ela seja um instrumento da sociedade. A mesma insegurança que move setores da mídia contra o governo Lula, não pelos seus atos administrativos mas pela sua origem popular. Senhor presidente, senhoras e senhores deputados, eu pergunto quem tem medo da TV Brasil?
Os mesmos setores que tem medo do nosso povo e da nossa cultura.
Segmentos que buscam desesperadamente se sentirem mais cultos e urbanos voltando suas vidas para os exemplos norte-americanos de cultura e consumo.
Pessoas que se sentem mais à vontade em Nova York do que no Rio de Janeiro.
Estes setores irão descobrir a riqueza da alma e da cultura de nosso país.
O surgimento de mais uma rede de televisão, e de natureza pública, pode contribuir para o aumento da diversidade na oferta de oportunidades de informação ao cidadão. Quanto maior a diversidade do sistema de radiodifusão, mais democrático ele se torna, permitindo que a sociedade possa formar seus juízos a partir do acesso a um conjunto variado de mensagens que expressem o pluralismo da própria sociedade.
Concluo saudando a nova rede de TV Brasil, e afirmando que meu mandato e minha atuação política serão voltados para o sucesso desta iniciativa, que não é iniciativa de um governo, mas é uma conquista para todo o país.
*Manuela d'Ávila é jornalista e Deputada Federal pelo PCdoB-RS, eleita em 2006. Tem 25 anos e é a mulher mais votada da história do RS. É membro do Comitê Central do PCdoB, da Comissão Política do Partido no seu Estado.
enviada por Gustavo Petta
17/10/2007 17:02
Manuela d'Ávila avalia Tropa de Elite
Em artigo inédito, a minha amiga e deputada federal, Manuela d'Ávila escreve sobre o filme mais polêmico do ano: Tropa de Elite. Ela discute a grande aceitação da personagem principal, Capitão Nascimento, e nos pergunta: esta é o sistema que queremos?
Capitão Nascimento e a cultura da impunidade
Por Manuela d'Ávila*
A controvérsia trazida pelo filme Tropa de Elite, nos impõe diversas reflexões sobre segurança pública, tráfico e consumo de drogas. Entretanto é necessário debatermos a construção de uma espécie de heroísmo em práticas ali vistas.
Tropa de Elite é um filme e seus atores retratam relatos de policiais do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da PM/RJ) sobre a relação da sociedade com a polícia. Não é correto punir o filme pelo tema ou sua equipe pela abordagem. Fosse assim, não existiriam filmes sobre o nazismo e a propaganda de Goebbels. O problema não reside portanto no filme, mas na interpretação que é feita a partir de angústias reais da sociedade. O personagem central do filme, capitão Nascimento se tornou figura símbolo de um ideário onde valores como a honestidade e o combate à corrupção são centrais.
Este mesmo personagem tortura e mata, mas mesmo assim é visto com alguma simpatia por parcelas da população. Por que?
O que está por trás do fascínio pelas ações violentas do personagem é a crescente sensação de impunidade que vivemos em nosso país. Não se pode negar que existe um forte corte de classe nas punições, políticos e empresários quase nunca são presos ou punidos. A corrupção é a face mais visível da impunidade, mas ela está presente em todas as esferas da sociedade. O banqueiro Cacciola lesa os cofres públicos foge para a Europa, e em 2005 a doméstica Angélica Aparecida foi condenada e presa por roubar um pote de manteiga.
A impunidade justifica o endeusamento da violência e da tortura, pois em Tropa de Elite o antônimo do corrupto é o torturador.
É preciso se questionar se este é o sistema que queremos?
Interessante analisarmos que o Estado brasileiro tortura sistematicamente e cotidianamente os seus presos. Como afirmou o diretor do filme, José Padilha em entrevista recente, colocar 30 presos numa cela onde só cabem 5 é uma forma de torturar este presos.
É preciso enfrentar os desvios legais que amparam a impunidade, criando e aperfeiçoando mecanismos que garantam o amplo direito de defesa e também a punição devida.
Como destaca a juíza Cleuza Mariza Silveira de Azevedo, titular da Vara de Execuções das Penas e Medidas Alternativas do Foro Central de Porto Alegre, É importante que os lidadores da execução penal falem sobre o que dá certo ou não e que sejam ouvidos pelo legislador para que, em um trabalho conjunto, possam chegar a um resultado efetivo na execução das penas, sem enaltecimento da impunidade.
O combate à impunidade este é o cerne do debate suscitado pelo filme, e este é o nosso verdadeiro desafio.
*Manuela d'Ávila é deputada federal pelo PC do B/RS
enviada por Gustavo Petta
28/08/2007 18:19
Fala Aliado G
Fala Aliado G!
Um Pouco Sobre: Periferia, Juventude e Hip Hop.
Milhões de CDs vendidos, grifes de sucesso, comportamento, poesia, artes plásticas, dança, filosofia e literatura. É possível influenciar em todos estes sentidos, sem dispor de um poderoso instrumento de difusão em massa, ou passar necessariamente pelo “crivo” da grande mídia? O Hip Hop consegue, daí surge à questão central deste texto, que tem ganhado cada vez mais a pauta no debate sobre juventude, seja na academia, nas administrações públicas ou mesmo no conjunto da sociedade. Como o Hip Hop estabelece este intenso e íntimo relacionamento com a juventude, sobretudo urbana e periférica? Hoje já são inúmeras as pesquisas acerca deste tema. Tem se tornado rotina, meu telefone toca, quando atendo alguém diz: “Desculpe, um amigo me passou seu numero, eu sou estudante e estou trabalhando numa pesquisa sobre Hip Hop, você se importaria em responder algumas perguntas?”. Eu particularmente não passo uma semana sem receber ao menos uma ligação nesse sentido. Procuro responder a todas, sei que não é o foco, mas me permitam um breve comentário, é que eu considero a pesquisa algo fundamental para o desenvolvimento humano, inclusive penso que um dos grandes desafios do Brasil, é justamente transformar nossa internacionalmente reconhecida capacidade cientifica em tecnologia, a serviço de um “Projeto Nacional de Desenvolvimento”, mas como este não é o espaço, voltemos ao nosso foco.
Por vezes ouvi, ou mesmo pude ler, diferentes opiniões como resposta a nossa questão. Um “intelectual” afro-brasileiro, certa vez disse: “Hoje os índios usam camisetas do Chicago Bulls, e o Hip Hop é o culpado”. Eu gostaria de ter a oportunidade de perguntar a ele, se do alto de sua sabedoria, poderia me responder, quem seria então o “culpado” por “nativos” de diferentes nacionalidades usarem a camiseta da seleção brasileira de futebol, seria o Samba? Reparem que eu prefiro o termo “nativos” para não ser contraditório, afinal o termo “índios”, esse sim, é herança maldita dos colonizadores, escravagistas, que vitimaram meus ancestrais, que por coincidência são os mesmos do referido “intelectual”, postulante a condição de “meritocrata das questões neocoloniais”. Por favor, não queiram atribuir ao Hip Hop o que é inerente ao conjunto da sociedade, o Hip Hop é sim, um movimento internacional, porém não é responsável pela internacionalização dos tráficos de armas, drogas, seres humanos, violência, desigualdades sociais ou quaisquer outros males desses tempos de “globalização”. Mas, dentre esta diversidade de opiniões a que mais me intriga, é a afirmação de um renomado maestro (tão renomado que não necessita ser citado) que, “o Hip Hop se resume a uma forma colonização do negro norte-americano sobre os negros brasileiros” e que o “RAP”, não é música e qualquer “retardado” pode fazer. Muito bem Senhor Maestro, seguindo sua linha de raciocínio, ouvir Beethoven, ler partituras, reger ou executar música clássica européia, seria então uma forma de perpetuar a colonização do branco europeu sobre os brancos brasileiros? Não vamos aqui desprezar nossa rica capacidade “antropofágica”, em devolver ao mundo as diferentes contribuições culturais que recebemos, em belíssimos contornos bem delineados em “verde e amarelo”. O que é o nosso samba, se não o encontro da “batucada africana” com a “harmonia das cordas européias”, e o que é musica? Se não a organização de sons e ruídos segundo uma cultura? E ai está a minha dúvida Maestro, existe cultura melhor, ou seriam apenas diferentes? O senhor que é um homem culto e avançado, com certeza tem a resposta, eu como sou apenas um “retardado” que graças a esta “estupidez” chamada Hip Hop, contrariei as estatísticas, completei 32 anos, vou continuar cantando meu RAP (o que eu tenho certeza que o senhor não consegue fazer), e escrevendo de forma humilde minhas opiniões, que felizmente divergem das suas, viva a “democracia”, a música clássica, o rap, o samba, o tango, o vira, e todas as manifestações culturais mundo afora, meu eterno respeito a todas.
Porém nossa questão central continua sem resposta, então vamos a minha tentativa. Quando a “Mãe África” foi violentada e os africanos foram arrancados de seus braços para serem escravizados nas Américas, uma tentativa de matar a cultura desse povo foi posta em prática. Destruindo seus instrumentos musicais, imaginaram que estariam destruindo a cultura e sem cultura não há identidade quanto “Nação”, com isso a dominação estaria facilitada, porém este esforço não passou de um “Equivoco Histórico”. Nos Estados Unidos, ao ter contato com a guitarra, os negros mudaram sua afinação e com um dedal de aço para pressionar as cordas, criaram o que hoje é mundialmente conhecido como “BLUES”, aqui no Brasil, ao ter contato com o arco e a flecha dos “Nativos” criaram um novo instrumento musical, conhecido como “BERIMBAU”, o fato é que o “BERIMBAU” e a “Guitarra de BLUES” tem exatamente a mesma afinação, e isso não foi combinado pelo “MSN”, com certeza. Isso mostra que a cultura está no “DNA” do povo e não no instrumento. Junto com os negros, também sobreviveram ao atlântico, ao porão do navio negreiro, as chibatadas, a tortura e a humilhação, o seu maravilhoso “Canto Falado”, que começa a ser difundido em novas bases rítmicas, produzidas a partir destes novos instrumentos, como bateria, contrabaixo e guitarra, quando surge a técnica dos DJs em misturar o som de dois discos iguais, criando um novo som, o “Canto Falado” se soma a isso e o batizam como “RAP”. No Brasil, o canto falado também se soma a diferentes sons, como o do pandeiro e ai surge o “REPENTE”, só pra citar um exemplo. Ainda hoje, temos no Brasil, mais de sessenta (60) diferentes tipos de canto falado.
Agora observemos, quem é essa juventude da periferia dos grandes centros urbanos? Simples, os filhos da “Classe Trabalhadora Brasileira”, que migrou do campo, no processo de “industrialização”. E quem formou essa classe? Alguns europeus (imigrantes em busca de uma nova vida, longe da “Guerra Napoleônica” e que cumpriam um importante papel para a “elite da época” que desejava o “branqueamento do povo brasileiro”), somada a alguns “Nativos” (sobreviventes do massacre promovido pelos colonizadores), mas sobretudo formada essencialmente pelo “Povo Negro”. Esse povo que se valia do seu “Canto Falado” em momentos de plantar, colher, comemorar, ou mesmo ir às batalhas. Portanto, esta ai a questão central, o Hip Hop é uma cultura de “Matriz Africana” e está no “DNA” dessa Juventude periférica, quando um “RAP” bate na caixa de som no barraco, e ecoa pela favela, é como se fossem os novos tambores ecoando pela diáspora, e os “rimadores” que o maestro classificou como “retardados” são os novos “Griôs” (aqueles que na África, viajavam pelas aldeias passando os conhecimentos de geração em geração).
Essa juventude urbana e periférica, estigmatizada, marginalizada, sofrida, herdeira, não de terras e diamantes, mas apenas da história de luta de seus ancestrais, é com certeza a que mais sofre, é a que tem seus direitos históricos e mesmo os constitucionais, violados cotidianamente. É aquela que mais absorve o impacto da cobrança desta sociedade do “Ter para Ser”, que vende hoje, o melhor tênis no pé, a melhor roupa no corpo, o celular mais moderno, o carro, a moto. Sufocando pelo rádio, jornal, revista, outdoor, TV, exigindo de todos que tenham, e exijam do outro que também tenha para ser aceito. Só deixa como alternativa de responder na mesma velocidade da cobrança, uma profissão que não requer formação, nem sequer experiência em carteira, ou documento algum, apenas sua alma. “Me de sua alma, e eu te darei tudo o que a mídia mostrou, a sociedade cobrou e você não conseguiu, sou sua única alternativa, tome sua decisão, viva pouco como um “REI”, ou muito como um “ZÉ”. Espero-te de braços abertos, eu sou o CRIME”.
Infelizmente essa é a realidade, que se parece muito com a ficção mostrada naquele famoso filme “Matrix”, onde em um determinado momento é oferecido ao protagonista uma escolha entre duas pílulas: “se você escolher a azul, continuará vivendo nesta realidade forjada da “Matrix”, mas se a escolha for à vermelha, você vem para o mundo real, e ao ver os demais vivendo a alienação da ”Matrix” nunca mais deixará de lutar”. O Hip Hop é um instrumento, eu e muitos outros tentamos fazer dele uma fábrica de pílulas vermelhas. Faça o mesmo a partir da sua realidade. Juntos, nós do Hip Hop e todos aqueles que desejam uma sociedade onde a escola forme cidadãos e não os treine para aceitar essa “Matrix”, onde a diversidade não signifique desigualdade ou intolerância, e a liberdade de imprensa não signifique “libertinagem ou manipulação de imprensa”. Conquistaremos nosso tão sonhado “Mundo Livre”.
Aliado G é Rapper do Grupo Face da Morte, Presidente da Nação Hip Hop Brasil e membro do Conselho Nacional de Juventude.
enviada por Gustavo Petta
21/08/2007 17:06
UJS lança campanha - artigo de Marcelo Gavião
Confira o artigo do Presidente da UJS(União da Juventude Socialista), Marcelo Gavião, sobre o movimento Cansei. È um bela comparação com a Marcha da Família com Deus pela Liberdade realizada em 1964. A entidade lançou, ontem, a campanha Quem vem com tudo não cansa É proibido dobrar à direita em resposta ao movimento da elite paulista. No Piaui, depois da declaração preconceituosa do presidente da Philips, as primeiras ações já aconteceram. Estudantes queimaram aparelhos da marca e anunciaram boicote aos seus produtos.
Quem vem com tudo não cansa
por Marcelo Gavião*
Idealizado por setores historicamente ligados ao pensamento de direita em nosso país, o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o ''Cansei'', realizou no último dia 17 de agosto, um ato público na Catedral da Sé, em São Paulo. O ato liderado pelo presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, e por vários grandes empresários e artistas tinha como objetivo impulsionar a criação de um movimento que resultasse no ''Fora Lula!''.
Mais uma vez, fantasiados da dor do nosso povo diante das mortes causadas pelo acidente do vôo da TAM, setores da elite brasileira tentam desencadear um movimento ''popular'' de oposição ao governo Lula. Os organizadores do movimento, contudo, negam tal vínculo. Afinal, o que está por traz do ''Cansei''? Como surge esse movimento? Quais suas raízes históricas?
O ''Cansei'' tomou forma dentro do escritório do empresário João Doria Jr, que em 2006 promoveu almoços para arrecadar recursos para a campanha de Alckmin à Presidência da República. Entre os slogans do grupo estão frases como ''cansei do caos aéreo'' e ''de CPIs que não dão em nada''. E qual a saída para tanto ''cansaço'' apontada pelo movimento? O ''Fora Lula!'', ecoado pelas ruas de classe média alta de São Paulo na caminhada realizada no dia 31 de julho.
Curiosidades sobre o formato:
Parece mesmo não ser à toa as comparações que têm surgido entre o movimento ''cansei'' e a Marcha da Família com Deus pela Liberdade que no ano de 1964, - ano do início da ditadura militar no Brasil - protagonizou uma série de manifestações públicas organizadas em resposta ao comício realizado no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964, durante o qual, o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. Congregou segmentos da classe média, temerosos do ''perigo comunista'' e favoráveis à deposição do Presidente da República.
As coincidências não param por aí: Os métodos utilizados na época pelo IPES -Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais para fazer com que houvesse manifestações eram simples, e me parece que a OAB-SP aprendeu direito a lição. Primeiro foram convocadas as esposas de empresários, doutrinadas sobre como o comunismo poderia ser prejudicial a elas e, principalmente a seus filhos. Em seguida foram convocadas as esposas dos empregados das empresas participantes, sendo as mulheres doutrinadas pelas esposas dos patrões em reuniões de senhoras com fins filantrópicos e religiosos.
A sociedade cristã foi mobilizada para a primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Dela participaram milhares de pessoas no dia 19 de Março de 1964. A massa humana saiu da praça da República chegando à praça da Sé onde foi rezada uma missa pela ''salvação da Democracia'', conduzida pelo padre Patrick Peyton, capelão do Exército estadunidense, enviado pelo governo dos Estados Unidos.
A exemplo do que faz agora a OAB-SP no ''Cansei'', a propaganda do IPES baseava-se na égide da defesa da moral e dos bons costumes da família brasileira, do direito à propriedade privada e à livre iniciativa empresarial, além de estimular a ampla participação de investidores estrangeiros na economia brasileira.
Dentre os métodos utilizados pelo IPES para mobilizar a população contra o trabalhismo de Goulart, houve palestras direcionadas às mães e donas de casa alertando para o possível dano que o comunismo causaria a entidade familiar. Aliás, muitas palestras, panfletos, documentários e livros foram feitos no sentido de difundir uma ''racionalidade'' ideológica capaz de convencer as pessoas sobre a suposta falência do governo Goulart.
Por fim, um elemento que aparentemente é diferente do passado.O IPES mantinha contato estreito com a Igreja Católica o que fez com que em 64 a Catedral da Sé abrisse as portas para a realização do ato, algo que não se repetiu no movimento ''cansei''. O IPES desapareceu em 1972, quando o AI-5 parecia ter controlado todos os focos de manifestação anti-direita no país.
É preciso que a sociedade brasileira denuncie com força o caráter e o objetivo desse movimento. O centro da sua atuação é a desestabilização e até a deposição do governo Lula, a elite não se conforma com o fato de ter perdido as duas últimas eleições presidenciais.
Temos noção dos erros cometidos pelo PT, e por isso lamentamos e repudiamos todos eles. Sabemos também da falta de convicção revolucionária do governo Lula. Contudo, temos sido testemunha ocular do esforço do presidente Lula em diminuir as desigualdades sociais e melhorar as condições de vida dos milhares de brasileiros.
O que esta em curso agora é uma forte movimentação da direita que busca construir seu retorno ao comando central do Brasil o mais rápido possível.
Para nós, jovens do campo ou da cidade, do morro ou do asfalto, das escolas ou universidades, empregados ou desempregados fica a certeza de que nossa luta central nesse momento deve ser a de fazer ecoar em uma só voz, pelos quatro cantos do país que ''Quem vem com tudo não cansa e é proibido dobrar à direita!''.
*Marcelo Gavião, Presidente Nacional da UJS - União da Juventude Socialista
enviada por Gustavo Petta
21/08/2007 17:00
Fala Miro!
Reproduzimos aqui, o artigo de Altamiro Borges. O colunista do Vermelho faz uma análise brilhante sobre a orgia dos bancos no governo Lula. Vale a pena conferir.
Lula e o lucro recorde dos bancos
por Altamiro Borges*
Ao final da sua viagem à América Central, o presidente Lula tentou novamente justificar o injustificável. Diante das notícias sobre os lucros recordes dos bancos, ele afirmou, candidamente, que eu sonho com o dia em que as empresas, bancos e a imprensa possam ganhar um pouco mais no Brasil. Mais uma frase infeliz de um governante que insiste em conciliar interesses antagônicos. Afinal, a atual orgia dos bancos, alicerçada na especulação financeira, na cobrança abusiva de taxas e na brutal exploração dos bancários, é frontalmente contraria aos interesses dos trabalhadores, da nação e do próprio setor produtivo. Na prática, os balanços publicados em agosto atestam que há algo de podre na política macroeconômica do governo.
O Bradesco, primeiro a divulgar o balanço, declarou que seu lucro líquido no primeiro semestre deste ano foi de R$ 4,007 bilhões um novo recorde histórico, 27,9% a mais do que o obtido no mesmo período do ano passado. Na seqüência, o Itaú superou seu concorrente no pódio dos especuladores, obtendo um lucro líquido declarado no semestre de R$ 4,016 bilhões, resultado 35,8% superior ao obtido em 2006. O Banco do Brasil, que embora seja público e opere de forma similar ao das instituições privadas, ficou em terceiro lugar com R$ 2,477 bilhões, uma estranha queda de 36% no lucro. Os dois bancos privados já concentram o grosso das operações financeiras, num processo de acelerada e perigosa monopolização deste setor.
O motor da sangria financeira
Festejado pelos banqueiros e justificado pelo presidente Lula, estes balanços representam um afronta à sociedade brasileira, uma autêntica provocação. Como argumenta o sociólogo Léo Lince, são dados que afirmam o Brasil como verdadeiro paraíso dos banqueiros, onde a extorsão financeira nada de braçada. O pior é que este quadro não se inverteu no governo Lula e, pior, tem se agravado. Tendo como base o primeiro semestre, em 2004 o Itaú teve um lucro de R$ 1,824 bilhões; em 2005, de R$ 2,474 bilhões; em 2006, de R$ 2,958; e, agora, chegou a R$ 4,016 bilhões. A progressão do Bradesco, segundo no ranking, não foi diferente neste período e ambos garantem que vão lucrar ainda mais no próximo semestre.
Não foi, é claro, o governo Lula que inventou a engrenagem infernal deste cassino financeiro. Mas está comprometido com ela até a medula, pois a política econômica do governo é o principal motor da sangria desatada. Sem dúvida, os ganhos da casta financeira no Brasil suplantaram o patamar do humanamente tolerável. Esse dinheiro que gera dinheiro é o reverso dos gargalos que atravancam o financiamento dos demais setores da economia. Recolhido nas fortalezas inexpugnáveis da banca privada, livre de qualquer tipo de controle social, ele é uma fonte de dominação e avassalamento, diz Lince. Para ele, a ortodoxia do Banco Central abre largas avenidas para a reprodução continuada da espetacular farra dos bancos.
Perversa transferência de renda
No extremo oposto dos lucros recordes dos banqueiros, o Brasil vive na pindaíba. O governo, atolado na imensa dívida pública que já supera R$ 1,198 trilhão, é forçado a desembolsar cerca de R$ 150 bilhões ao ano para pagar somente os juros. A taxa Selic do Banco Central, que regula os pagamentos dos depósitos compulsórios e da dívida pública, é de 11,25%, a segunda maior taxa do planeta. Já as empresas privadas e os cidadãos comuns são surrupiados diariamente por estes agiotas. A taxa de juros cobrada pelos bancos nos empréstimos para pessoas jurídicas é de 25,3% e a taxa para as pessoas físicas é, em média, de 49,1% ao ano. No caso das operadoras de cartão de crédito, ela atinge, em média, 122% ao ano um absurdo.
Somando os R$ 150 bilhões retirados dos cofres públicos, mais o resultado da agiotagem do setor privado (que deve render outros R$ 167 bilhões de juros dos empréstimos), os banqueiros e rentistas abocanharão neste ano, apenas com a especulação financeira, cerca de R$ 317 bilhões o que representa quase 20% do PIB nacional. É um enorme e perverso mecanismo de transferência e concentração de renda, que reduz os investimentos públicos, penaliza o setor produtivo, inibe o crédito e gera desemprego e miséria. Não há porque o presidente Lula sonhar com mais lucros para os banqueiros. Eles já roubam demais! Além disso, eles subtraem recursos que poderiam ser usados pelo governo na infra-estrutura e nas políticas sociais.
Absurdo do bolsa especulador
Segundo Raphael Prado, os lucros do Bradesco e do Itaú no primeiro semestre, somados, poderiam pagar durante um ano o valor do maior benefício do Bolsa-Família para 5,9 milhões de beneficiários. Ambos lucraram, em apenas seis meses, R$ 8,023 bilhões... Já os benefícios do programa do governo federal, que hoje atinge cerca de 11 milhões de famílias, variam de R$ 18 a R$ 112. Esta aberração é que tem levado o teólogo Frei Betto, que durante dois anos coordenou o Fome Zero, a intensificar suas críticas à política macroeconômica do governo Lula. Ele lembra que, em 2006, o Bolsa Família deu R$ 15 milhões para 11 milhões de famílias. Já o bolsa especulador doou R$ 150 bilhões para 20 mil famílias de credores da dívida pública. Não há futuro para um país que beneficia dessa maneira sua camada mais rica, afirma.
Além da agiotagem dos juros, os bancos ainda acumulam fortunas com a cobrança das escorchantes taxas de serviços. Segundo artigo da revista eletrônica Terra Magazine, o lucro recorde dos bancos se deve ao aumento especular de 250% nas tarifas. Levantamento da agência de classificação de riscos Austin Rating mostra que a participação dos serviços no crescimento bancário atingiu 19,7%, contra 19,1% dos títulos e valores imobiliários. Dessa forma, os serviços hoje compõem a segunda fonte de receita dos bancos, perdendo apenas para as receitas de crédito, que respondem por 47,6%. Para se ter uma idéia do tamanho do seu crescimento basta lembrar que a receita com serviços dos dez bancos que apresentaram balanço somou R$ 13,8 bilhões, um acréscimo de 22,8% em relação a igual período do ano passado.
*Altamiro Borges, Miro é jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
enviada por Gustavo Petta
21/08/2007 16:57
Fala Madanela
Este artigo da Professora Madalena da Contee é muito interessante. O capital estrangeiro está comprando as nossas escolas e universidades e o Governo Lula não faz nada. Precisamos pressionar o MEC, já que a educação é determinante para nossa soberania.
O Ministro da Educação ainda precisa de dados?
por Madalena Guasco*
Em audiência com o Ministro da Educação, Fernando Haddad, no dia 8 de maio de 2007, a diretoria executiva da Contee apresentou a campanha "Educação não é mercadoria" e pontuou, enfaticamente, a necessidade de medidas urgentes para barrar a desnacionalização da Educação superior no Brasil.
Na ocasião, relatamos ao Ministro diversos exemplos concretos de negociatas de ações de Instituições privadas da Educação superior na bolsa de valores, numa proporção que transfere totalmente o capital votante destas Instituições para empresas e investidores internacionais.
Denunciamos ainda, o trabalho que vem sendo executado por representantes comerciais de grandes corporações, que atuam internacionalmente, com o objetivo de anunciar a venda de ações de grupos e corporações de Instituições de ensino superior brasileiras.
Diante da posição contundente de nossa entidade e também dos dados oferecidos, o Ministro Haddad não só se pronunciou convencido da gravidade do problema, como se prontificou a procurar o Presidente da República para debater o problema e verificar as possibilidades reais de uma ação de Governo para frear estas negociatas, que colocam em risco a soberania nacional na Educação. O Ministro pediu também que a Contee enviasse por escrito suas denúncias.
Pois bem, depois desta audiência, a Comissão de Educação da Câmara promoveu uma audiência pública para debater a entrada, cada vez maior, de capital internacional na Educação brasileira. O jornal O Estado de São Paulo, em editorial publicado no dia 30 de julho de 2007, não somente trouxe dados detalhados da ação dessas corporações, como apontou também as negociações em curso nas bolsas de valores do Brasil e internacionais. Além disso, no último período, diversos outros artigos, com o mesmo teor, vêm sendo publicados nos veículos de comunicação do País.
Recentemente, em debates realizados na Puc-SP, tomamos conhecimento de que, tanto membros da Câmara superior do CNE, como da Abruc, estão cientes das negociatas. Eles confirmam que ações de 15 Instituições privadas estão sendo vendidas ao capital internacional na bolsa de valores, sem nenhum controle. Detectaram ainda a existência de uma tendência clara de expansão dessas negociações com o capital acionário internacional. O que desnacionalizará grande parte das Instituições que compõem o sistema nacional de educação superior uma vez que as universidades privadas stricto sensu representam, proporcionalmente, grande maioria no sistema.
Apesar de todos estes fatos e acontecimentos, na última quarta-feira, dia 15 de agosto de 2007, em audiência entre a CUT e o Ministro Fernando Haddad, o assunto veio à baila e novamente o Ministro afirmou que necessita de dados sobre o tema.
Consideramos, no mínimo, estranho este posicionamento do MEC. Custa-nos acreditar que o Governo Lula e seu Ministério, diante de tão grave problema e de tantas denúncias públicas, feitas por interlocutores diversos, não tenham ainda agido alegando falta de dados.
É impossível acreditar que a Contee, a Câmara de Educação Superior do CNE, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, a ABRUC, a CUT, a UNE, a CNTE e os movimentos sociais e de Educação, além dos mais diversificados meio de comunicação, tenham acesso aos dados e somente o Ministro Fernando Haddad e os seus assessores diretos não estejam suficientemente informados sobre a venda de ações de Instituições superiores na bolsa de valores.
O PL 7200, que foi encaminhado pelo Executivo para tramitar no Congresso Nacional, encontra-se engavetado. Em seu artigo 7º prevê-se terminantemente a proibição da venda de mais de 30% de capital votante das Instituições privadas de Educação superior ao capital internacional. Entretanto, atualmente, não existe nenhuma portaria, Lei ou decreto que impeça a venda da totalidade de ações de Instituições de Educação superior a grupos internacionais.
A falta de regulamentação e a possibilidade, mesmo que remota, de retomada da tramitação do PL 7200, vêm provocando essa corrida aberta de negociatas e a desnacionalização da Educação superior brasileira. Nada disto está ocorrendo no escuro nem de forma clandestina. É um movimento orquestrado e profissional, que para alguns setores ligados à Educação constitui tendência irremediável.
Esperamos que não! E de pronto afirmamos que a CONTEE, tendo sido a primeira a denunciar este movimento, não se calará e unirá forças com todos aqueles que pretendem lutar contra este ataque à nossa soberania.
Sendo assim, EXIGIMOS do Governo Federal um pronunciamento público sobre a questão e a tomada de medidas legais imediatas que impeçam a continuidade desta afronta à nossa soberania na Educação.
Madalena Guasco Peixoto é Coordenadora Geral da Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino)
Fonte: Contee
enviada por Gustavo Petta
21/08/2007 16:55
Fala Lucia!
Veja o artigo de Lucia Stumpf, presidente da UNE, no qual a gaúcha fala sobre o início de sua gestão e comenta sobre os 70 anos da entidade.
"Nossa entidade está em plena forma e pronta para viver mais 70 anos. Olhamos para frente e sonhamos alto com a certeza de que ainda estão presentes os ideais que impulsionaram a vida de Honestino Guimarães, Alexandre Vannucchi Leme, Edson Luis, Helenira Rezende e muitos outros que doaram a vida por acreditar na transformação do Brasil e do mundo."
Veja o artigo na íntegra:
http://www.une.org.br/home3/opiniao/artigos/m_10172.html
enviada por Gustavo Petta
14/08/2007 14:04
Fala Danilo!

Em artigo inédito, o Secretário-Adjunto Nacional de Juventude e Vice-Presidente do Conselho Nacional de Juventude, Danilo Moreira, fala sobre os preparativos da Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude e sobre a relevância desta para a juventude brasileira.
LEVANTE SUA BANDEIRA
por Danilo Moreira*
Inicia-se no final do próximo mês de setembro e conclui-se em março de 2008 a 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude, promovida pelo Governo Federal. Serão seis meses de intensos debates sobre a realidade da juventude e as ações do poder público, voltadas para os mais de 50 milhões de brasileiros e brasileiras entre 15 e 29 anos. Esperamos chegar ao final deste processo participativo com a definitiva afirmação do tema juventude na pauta das políticas públicas o que, por si só, não seria um objetivo modesto.
Houve um tempo em que juventude era apenas sinônimo de futuro como se esta fosse um eterno porvir. Da mesma maneira eram tratadas as políticas públicas direcionadas para este segmento. Talvez por isso, é que chegamos ao início do século XXI, com preocupantes indicadores sociais relacionados a emprego, escolaridade e segurança pública, dentre outros. Tal situação, também é reflexo de anos seguidos em que o ritmo da economia vinha sempre acompanhado de palavras como recessão e estagnação.
Diante disto e desde já, levantamos algumas questões para os debates que se avizinham. Até que ponto o que chamamos de problemas da juventude não seriam, de fato, a negação de direitos básicos à educação de qualidade, ao trabalho decente, à cultura, ao esporte e ao lazer? Será que determinados comportamentos violentos não estariam associados a falsas expectativas criadas por uma sociedade de consumo onde o ter é mais importante que o ser? Será que a situação em que ainda se encontra parcela da juventude brasileira pode servir para generalização da imagem de dezenas de milhões? Será que reconhecemos a capacidade de sonhar e lutar por uma nova realidade, reiteradamente demonstrada por esta mesma juventude?
Essa Conferência não surge do acaso. É resultado de uma caminhada iniciada ainda no primeiro mandato do presidente Lula, quando se somaram diversas vozes dos movimentos juvenis, da sociedade civil e das forças políticas que partilhavam do sonho de um Brasil decente, sob a liderança de um presidente operário. Um Brasil que superasse uma visão da juventude-problema e que reconhecesse esta parcela da população como sujeito de direitos e agente de mudanças.
Neste ambiente é que vimos emergir inúmeras iniciativas como diálogos e fóruns promovidos pelos movimentos juvenis, frentes parlamentares de políticas de juventude, elaboração de estudos e pesquisas divulgados pela sociedade civil e organismos internacionais e, finalmente, a criação, em fevereiro de 2005, da Secretaria Nacional e do Conselho Nacional de Juventude, ambos ligados à Secretaria Geral da Presidência da República. Esta primeira com o objetivo de coordenar e articular as iniciativas do Governo Federal para este segmento e o Conjuve, composto majoritariamente pela sociedade civil, com a missão do formular, propor e acompanhar. Estava dado o primeiro passo.
Chegamos em 2007, após a expressão da vontade das urnas, com o compromisso renovado e o desafio redobrado. Agora, não nos basta ter superado governos anteriores também na área da juventude, precisamos nos superar. Não por uma questão de vaidade, mas por uma necessidade. Ampliar o acesso à educação de qualidade, promover a inserção da juventude no mercado de trabalho, democratizar o acesso à cultura, esporte e lazer, respeitando as particularidades da juventude são - e serão - desafios não apenas de um governo, mas de toda sociedade e, porque não dizer, de uma geração política.
Neste segundo mandato já tiramos do papel o FUNDEB, que significa um aporte de mais de 4,5 bilhões na educação básica, incluindo aí os ensinos infantil e médio. Lançamos o Plano de Desenvolvimento da Educação PDE. Com o PDE, os sistemas públicos de ensino em todos os níveis terão mais recursos da União, mas também estarão comprometidos com metas de qualidade. Além disso, a meta estabelecida no PDE é 150 novas escolas técnicas e dobrar o número de vagas nas universidades públicas em dez anos.
Outra marca da Política Nacional de Juventude é a da inclusão social atribuída a este governo até por seus críticos. Hoje, programas específicos de inclusão do Governo Federal alcançam cerca de 800 mil jovens. Um Grupo de Trabalho coordenado pela Secretaria Nacional de Juventude apresentou, e o Presidente da República aprovou, um redimensionamento de alguns desses programas que proporcionará maior integração e um aumento de escala, elevando para 4,5 milhões, até 2010, o número de jovens participantes nos programas de inclusão.
Ao lado destas e de outras iniciativas, devemos assegurar o direito à participação. Indispensável ao fortalecimento de uma democracia com o povo, à qualidade das políticas públicas e tão caro à juventude brasileira. E isso é o que pretendemos com a realização da 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude. Esperamos que esta se torne um poderoso processo participativo que aponte prioridades para ação do poder público em todos os níveis, que propicie uma maior articulação dos movimentos juvenis e da sociedade civil, que fortaleça a institucionalização das políticas de juventude nos estados e municípios e, acima de tudo, inclua definitivamente a juventude em nossa estratégia de desenvolvimento nacional.
Realizaremos um processo inovador de mobilização. Em consonância com o tamanho, a complexidade e diversidade do nosso país. As etapas da Conferência poderão ocorrer nos grupos juvenis, nas escolas e universidades, na internet, nos municípios e estados. Esperamos que sejam momentos intensos de encontros e debates sobre os mais variados temas: da educação ao meio-ambiente, do trabalho ao esporte, da saúde aos direitos humanos, da cultura à sexualidade, do presente ao futuro do país. Levante sua bandeira.
*Danilo Moreira é Secretário-Adjunto da Secretaria Nacional de Juventude, Vice-Presidente do Conselho Nacional de Juventude - Conjuve e Coordenador Geral 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude.
enviada por Gustavo Petta
11/08/2007 16:04
Fala convidado!
Este espaço é dedicado aos colaboradores do nosso blog. Lugar de se expor idéias e atitudes em defesa da juventude e de um outro Brasil. Estarão presentes, dentre os vários nomes, Tico Santa Cruz (Detonautas), Marcelo Yuca e o rapper Aliado G (Faces da Morte), a deputada federal Manuela D'Ávila, a presidenta da UNE Lucia Stumpf, o presidente da UBES Tiago Franco, o vice-presidente do Conselho Nacional de Juventude Danilo Moreira, além de dois grandes amigos de gestão na UNE Pedro Campos e Louise Caroline.
Na próxima Terça-feira, Danilo Moreira inaugura esse espaço, com um artigo sobre a conferência nacional de juventude. Aguardem!
enviada por Gustavo Petta
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